Blog dos Poetas

Caixão Fantástico

de

Célere ia o caixão, e, nele, inclusas,
Cinzas, caixas cranianas, cartilagens
Oriundas, como os sonhos dos selvagens,
De aberratórias abstrações abstrusas!

Nesse caixão iam talvez as Musas,
Talvez meu Pai! Hoffmânnicas visagens
Enchiam meu encéfalo de imagens
As mais contraditórias e confusas!

A energia monística do Mundo,
À meia-noite, penetrava fundo
No meu fenomenal cérebro cheio…

Era tarde! Fazia muito frio.
Na rua apenas o caixão sombrio
Ia continuando o seu passeio!

postado por em 16-07-2008
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2 Comentários para “Caixão Fantástico”


  1. Inominável Ser disse:

    Inomináveis Saudações, Ederson Peka.

    Este poema e o caixão, uma ligação da alma poética com os sentidos todos das efemeridades existenciais. Augusto dos Anjos prima pelo caráter da morbidez que faz refletir:

    Por que o caminhar em direção à cova?

    Por que a cova chama nossos passos?

    Por que nosos passos conduz-nos sempre ao efêmero?

    Respostas possíveis ou impossíveis?

    Saudações Inomináveis, Ederson Peka.


  2. Carina disse:

    Boa noite Ederson! Hoje pela primeira vez passei pelo teu blog. Nesta noite fria, e tão vazia. Vazia de sentimentos e saudades! Como é bom ler bons poemas. Incrivelmente nos enche a alma. Fazendo fluir bons momentos de ternura…Mas insistentemente me sinto só….aguardo sua companhia. Quero o seu contato.

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