Blog dos Poetas

A Um Ausente

de

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

postado por em 13-03-2006
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3 Comentários para “A Um Ausente”


  1. Eude Teodoro disse:

    Desejo saber em que ano foi escrito o poema: A um ausente – Carlos Drummond de Andrade


  2. Maria G.Souza Martins disse:

    Quem é essa pessoa a que o poeta se refere.quando diz:Sim acuso-te porque
    fizeste o não previsto nas leis da amizade
    e da natureza,nem sequer nos deixaste o direito de indagar:porque o fizeste,porque te foste!
    Leis da amizade-amigo
    Lei da natureza-a morte [?]Seria esse doloroso poema dedicado a alguem que se suicidou,?Quem seria essa pessoa ?
    Não sei ler esse poema sem chorar…bjs


  3. Lu de Oliveira disse:

    Adorei o site e prometo virar visitnha constante. Adoraria receber a visita de vocês também… se quiserem me enviar postagens para o meu blog, as receberei com muito carinho.
    Beijos a todos!
    Lu

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