Blog dos Poetas

2.5

de

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

postado por em 29-01-2008
Compartilhar

2 Comentários para “2.5”


  1. Helen Dante disse:

    Poxa! Hoje eu me sinto exatamente assim, acho que não entrei aqui por acaso pra eu ler isso.


  2. EDILOY A C FERRARO disse:

    Pode-se visualizar estes versos como hilários ou azedos. Sem dúvidas, geniais, fico com a impressão de que são amargos nas conclusões, mais a ver com o estado de espírito do autor, que manifesta tédio e, ao fazê-lo, o faz com a maestria das ironias, muito boa leitura !

Deixe Seu Comentário