Teus Olhos
de Florbela EspancaFontes… cisternas…
Enigmáticas campas medievais…
Jardins de Espanha… catedrais eternas…
Berço vindo do Céu à minha porta…
Fontes… cisternas…
Enigmáticas campas medievais…
Jardins de Espanha… catedrais eternas…
Berço vindo do Céu à minha porta…
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer…
Eu sei lá bem quem sou?
Um fogo-fátuo, uma miragem… Sou um reflexo…
Um canto de paisagem, ou apenas cenário!
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!
Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis!
Sonho… que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jadim,
Num país de ilusão que nunca vi…