Rimas
de Euclides da CunhaHoje, que vivo desse amor ansioso
E és minha – és minha, extraordinária sorte,
Hoje eu sou triste sendo tão ditoso!
postado por Ederson Peka em 20-06-2010
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Hoje, que vivo desse amor ansioso
E és minha – és minha, extraordinária sorte,
Hoje eu sou triste sendo tão ditoso!
Bem triste e bem cruel decerto foi o ente
Que este Saara atroz – sem aura, sem manhã,
A Álgebra criou…
Quem mais tarde, nesta folha lesse,
Perguntaria: “Que autor é esse?”…
E ele que fôra um bruto, e vil descrente,
Quanta vez, numa prece, ungido, cola
O lábio seco, na úmida corola
Daquela flor alvíssima e silente!…
Mas esta mágoa, o tê-la
É um engano profundo.
Faze por esquecê-la!