Adormecida
de Castro AlvesEra um quadro celeste!… A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia…
postado por Ederson Peka em 05-02-2007
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Era um quadro celeste!… A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia…
Odeio o mausoléu que espera o morto
Como o viajante desse hotel funéreo.
Partindo eu disse – “Voltarei! descansa!. . . ”
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Eu sou como a andorinha… Ergui meu vôo
Sobre as asas gentis da fantasia.
A descrença nublou-me o céu da vida…
E a crença estrebuchou numa agonia.