Trindade
de Álvares de AzevedoA vida é uma planta misteriosa
Cheia d’espinhos, negra de amarguras
Onde só abrem duas flores puras…
postado por Ederson Peka em 31-01-2012
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A vida é uma planta misteriosa
Cheia d’espinhos, negra de amarguras
Onde só abrem duas flores puras…
Junto de teu seio
Que treme-te e palpita em doce enleio
Beba eu o amor que teu olhar revela.
Eu vivia no doce alento
dessa virgem bela…
Tanto amor, tanto fogo
Se revela naqueles olhos negros!
E nos olhos azuis cheios de vida
Lânguido véu de involuntário pranto!
É esse o talismã, é essa a Armida,
O condão de meus últimos encantos…
A grande distância que entre nós estiver
Lembrança de ti não me fará perder.
Faz que tua alma a distância também vença!
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade
Meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores…
Morro, morro por ti!