Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade…
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade…
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
postado por Ederson Peka em 25-01-2009
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Christiano disse:
Eu fiz uma instalação na Fcul desse poema ficou massa…foi um dos melhores tarbalhos que fiz… Adoro mario! o melhor Poeta(minha opinião)
Francivaldo Soares disse:
Cara, os poemas de Mário de Andrade, são o máximo, principalmente este que eu me identifico muito!!!!!!
Annie disse:
Os poemas de Mario de Andrade são muito bonitos. Não gosto de ler muito, mas quando diz respeito a poemas eu adoro!!!
Iracema disse:
Adoro esse homem; e esse seu jeito de escrever, como quem conversa.
Ele sim, faz da minha Paulicéia, uma desvairada!
bj
Ira