Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei nada.
Nem ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
- Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: – o luar triste na geada…
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém… O ermo atrás do ermo: – é a paisagem daqui.
Tudo opaco… E sem luz… E sem treva… O ar absorto…
Tudo em paz… Tudo só… Tudo irreal… Tudo morto…
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
postado por Ederson Peka em 30-04-2008
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Úrsula Maia disse:
Amo ler poesias de um modo geral, mas as que foram elaboradas por Cecília Meireles têm um sabor especial. Eu me identifico muito com o que ela escreve e como escreve. Linda esta poesia da nossa saudosa Cecília, onde seu eu-lírico extravasa em versos melancólicos e apaixonantes.
Vilma Fherreyra disse:
Cecília é a própria poesia…é a expressão clara da emoção. Neste poema posso sentir seu caos…que às vezes é o meu…
Mauri disse:
Cecília Meireles comenta sobre a imaginação dos garotos de patinete que com um pouco de imaginação vão à lua que vai além do céu,comenta também que a felicidade dos garotos é a velocidade dos garotos nos patinetes e por fim diz que se obtivessem asas estes garotos iriam a lua,mas os chama apenas de marmanjos.