Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!
Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.
Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;
naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.
Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.
Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.
postado por Célia de Lima em 25-03-2010
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EDILOY A C FERRARO disse:
O material do artífice da palavra, o seu depósito íntimo, lhe fornece a essência para os devaneios que se imortalizam no tempo, pois mudam-se os cenários mas a saga humana sobrevive…nessas nuances, de múltiplas faces, abastecem a inspíração intimista que nos retrata em vivas cores essa poetisa…
Felipa disse:
Não olhes os meus retratos
Que nenhum deles retrata
A minha alma fiel
Retratos são abstratos
São aparência inexacta
Fisionomia chata
Num pedaço de papel…
(Felipa Monteverde)