(trecho de “Carta do morto pobre”)
Vai o animal no campo; ele é o campo como o capim, que é o campo se dando para que haja sempre boi e campo; que campo e boi é o boi andar no campo e comer do sempre novo chão. Vai o boi, árvore que muge, retalho da paisagem em caminho. Deita-se o boi, e rumina, e olha a erva a crescer em redor de seu corpo, para o seu corpo, que cresce para a erva. Levanta-se o boi, é o campo que se ergue em suas patas para andar sobre o seu dorso. E cada fato é já a fabricação de flores que se erguerão do pó dos ossos que a chuva lavará,
quando for tempo.
postado por Ederson Peka em 26-07-2009
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Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:
…o Ser interagindo com a natureza, sendo natureza, seu corpo, o do animal, servindo-se e servindo, seus estrumes estercos, seus ossos nutrientes da terra/campo que o alimenta, numa interação infinda…reflexões que nos fazem pensar contadas de forma poética e com sabor de fábula.