Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
postado por Ederson Peka em 09-09-2005
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Cibelle disse:
Alguém podería me explicar o que Saramago quis dizer com esse poema (Na Ilha por vezes habitada)?
Ederson Peka disse:
Eu não.
Talvez ele mesmo… TALVEZ…
Com certeza, mais ninguém.
Pedro Torres disse:
Temos que ler a frase inteira para tentar uma interpretação:
Na ilha por vezes habitada ‘ do que somos
Jung certa vez disse que estávamos à duas doses do que realmente somos, como se vivêssemos sempre escondidos por trás de uma cortina que criamos para não revelarmos o nosso íntimo mais profundo.
Então, no meu pensar imediato: o “Na ilha por vezes habitada”, refere-se a um momento de lucidez, ou de plenitude de consciência.
Eu assim diria. E, como bom advogado:
S.M.J.
Beijo.
Pedro Torres.
Natalie Dowsley disse:
Saramago é incrivelmente profundo na sua “descrição” do humano… e ele faz isto usando palavras simples, imagens simples… mas com conteúdos extremamente profundos e complexos!
Acredito que as respostas dos dois colegas anteriores estão no caminho certo… =) porque, nas linhas de Saramago, tudo pode significar qq coisa… ou nada… e só tem sentido o que significar para mim, pois o que importa é o que posso ver.
Grande abraço a todos!