A carne anda cada vez mais fraca
e o silencio cada vez mais comprometedor
cômicos somos nós que estamos falando sério
e pobres são todos, de uma pobreza irremediável
de uma doença incurável, apesar de todos os esforços
da medicina, da psicoterapia, da parapsicologia
quando a única solução seria um sortilégio.
Há políticas bastantes para não pensarmos em nada
e condicionamento suficiente para termos a ilusão de que pensamos
de que somos livres e vivemos como queremos.
Temos vontades baratas: um novo par de sapato
um pouquinho mais de espaço para alongar as pernas
e se possível mais tempo pra reclamar da vida.
Ah, deveríamos desobedecer secretamente a nós mesmos,
imitar um pouco mais os bichos
inventar qualquer forma mais pura
do que esta selvageria civilizada
do que este progresso cheio de violência
do que esta racionalidade que não deu certo.
Meu irmão, o absurdo somos nós.
1 – Contribuição Nacional (PagSeguro)
2 – Contribuição Internacional (PayPal)





zierley jardim disse:
certíssima, bruna.
nunca vi tanta degradação de tudo!
lareissa disse:
que poesia linda
EDILOY ANTONIO CARLOS FERRARO disse:
… a criatividade, unida a sutil humor, dá este texto um colorido diferente, irriquieto, provocativo e muito atual…
EDILOY ANTONIO CARLOS FERRARO disse:
…de forma sutil e inteligente, a poetisa teoriza sobre os desencontros dos condicionamentos sociais, que nos embalam feito produtos pasteurizados colocados a consumo…
Micá disse:
Gostei muito deste texto, é de facto uma cruel verdade, só é pena que em nome do progresso, novas técnologias, como é o caso desta que estamos a usar, não sirva para unir as pessoas em torno de um projecto real. Há muita informação momentânea, mas infelizmente é virtual.
porque quem tem o poder nas mãos, faz muito pouco por quem lho deu, e as diferenças sociais são cada vez maiores.
Não entendo muito bem como esses senhores se dizem democratas
<não é aceitável que Países ricos, com riqueza que a própria naturaza lhe deu, deixem o seu povo na maior miséria.
Muita da violência que existe é fruto da pobreza.
Eu também faço poesia e em muitos dos meus escritos, mostro a minha mágoa pela Humanidade perdida.
Um abraço
MICÀ
fernando martinez disse:
e os insetos, as abelhas principalmente