Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;
Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:
Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces
O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.
postado por Ederson Peka em 11-04-2010
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EDILOY AC FERRARO disse:
…soneto inspirado, com imagens meigas, versejar que nos conduz ao cenário bucólico que Antero de Quental nos conduz, bem apropriado para idílios…envolvente !
EDILOY A C FERRARO disse:
…deleites em versos trazidos pelo poeta da língua mãe, Antero de Quental, na graciosidade de seu cenário bucólico,o amor se insinua com toda a inocência, nos prados narrados da terra portuguesa, reafirmando que as emoções são imorredouras, ainda que os versos se distanciem no tempo…
maria clementina disse:
gostei muito desse poema é muito lindo o lirimo e verdade do amor e Antero de Quental compôs essa joia com muita maestria.
Leila disse:
Uma das facetas de Antero de Quental é a da poesia de tom metafísico, voltada para a expressão da angustia de quem busca um sentido para a existência. Dedicou-se à poesia, à filosofia e à política. E em estado permanente de depressão suicidou-se com um tiro no ouvido, disparado num banco de jardim de um convento, no Campo de São Francisco Xavier.
Vale a pena ler um de seus versos!
rui pinheiro santos disse:
acho muito bons, lindos