Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Gênio de vinganças!
postado por Ederson Peka em 04-04-2010
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EDILOY A C FERRARO disse:
…o tempo passa mas a natureza humana, eivada de buscas e de aventuras, encontra-se sempre diante de seus torturantes dilemas, malfadas escolhas, remorsos e arrependimentos, como se a vida, laboratório de experimentos, tivesse antes que experimentarmos as doçuras dos desatinos para nos quedarmos no resultado infeliz de tantos erros…nestes versos, Camões, como se contemporâneo a nós ainda estivesse, faz-se presente pela atualidade de seus pensamentos.
Zózimo disse:
lindo poema, muito gradificante e aproveitoso vê-lo.
Parabéns!