É estranho que, após o pranto
vertido em rios sobre os mares,
venha pousar-te no ombro
o pássaro das ilhas, ó náufrago.
É estranho que, depois das trevas
semeadas por sobre as valas,
teus sentidos se adelgacem
diante das clareiras, ó cego.
É estranho que, depois de morto,
rompidos os esteios da alma
e descaminhado o corpo,
homem, tenhas reino mais alto.
postado por Célia de Lima em 20-12-2008
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soraia disse:
Que beleza de versos….Celia..voce tem um bom gosto..
beijos e um 2009 repleto de inspiraçoes., saude dinheiro.. felicidade..
beijos da ciganita
Tene Cheba disse:
Quero, quero te dizer, quero,
quero te domar, sem requintes,
vou declamar, o poema amargo,
as rimas doces, as noites sem lua,
estrelas cadentes, bombas que caem,
visão que tortura, minha alma derramada,
mas hoje, apenas hoje, o mundo é gigante,
não nota você, não percebe a sua dor, nem sente a sua fome, nem lhe cede o lenço, para colher suas lágrimas.
Pobre Rosalina, menina pobre, de doce amargura, que vive na faixa, cercada por muros, inviolada.
Pobre Rosalina, pobre ser, não em gaza,
esqueça as pedras, deixe o limo sobreviver.
Pobre Rosalina, menina pobre,
nunca verei, o seu sorriso,
creio em crias mortas, em crias vivas,
creio na opção.
Pobre Palestina, pobre Rosalina,
pobre podridão.
claudia quaresma disse:
Que beleza de versos…em seus versos ,Henriqueta lisboa,tem a sensibilidade de reconhecer que o ser humano só é valorizado depois de morto.