Eu fui cadáver, antes de viver!…
- Meu corpo, assim como o de Jesus Cristo,
Sofreu o que olhos de homem não têm visto
E olhos de fera não puderam ver!
Acostumei-me assim, pois, a sofrer
E acostumado a assim sofrer, existo…
Existo!… – E apesar disto, apesar disto
Inda cadáver hei também de ser!
Quando eu morrer de novo, amigos, quando
Eu, de saudades me despedaçando,
De novo, triste e sem cantar, morrer,
Nada se altere em sua marcha infinda
- O tamarindo reverdeça ainda,
A lua continue sempre a nascer!
postado por Ederson Peka em 03-04-2011
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EDILOY A C FERRARO disse:
Este poeta é um dos mais intrigantes que conheço, sua verve, algo irônica, amarga, filosófica, torna-se transcendental, o imortaliza pelo frescor da atualidade de suas inquietações…lê-lo é como sentir-se na cadeira de um teatro diante a um espetáculo real, cru, colocando vísceras à mostra. Sua temática frenética, obsessiva, nos lembra, incomodados, de nossa efemeridade e vulgaridades de tantos fetiches passageiros e inúteis…é genial, diabólico. Tive a oportunidade de ler um de seus textos, em psicografia ( para quem acredita, como é meu caso), e lá continua a descrever sua passagem de frio ateu para o despertar na eternidade.
Maria AparecidaBecker sander disse:
Augusto dos Anjos é incrível. A forma como trata a morte e o amor é insubstituível,Lê-se
o autor e sabe-se que só pode ser Augusto dos Anjos.Quero cumprimentar os que fazem a postagem pelo que de belo escolhem.
Phalus disse:
Maravilha
rosi disse:
profundo… um pouco triste… qual será o motivo da vida? saímos do pó e pra lá voltaremos…
Enna disse:
Augusto e sua irreverencia!
Sexo c/ Amor disse:
Mesmo morrendo a cada dia, nos “reviramos” e continuamos a existir.
Jonatas de Oliveira disse:
Tudo que vem de Augusto dos anjos é tão inexplicável quanto filosófico. Talvez seja por isso que gosto tanto de seus versos.
Fatima Vieira disse:
Este poeta me aflige, inquietação, flerta com a morte, eu idem…
Fatima Vieira disse:
Só mesmo Augusto dos Anjos poderia escrever esses versos!
“Eu fui cadáver, antes de viver!…
… Quando eu morrer de novo,
De novo, triste e sem cantar, morrer…”
(http://blog-psique.blogspot.com/)