Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
postado por Elisabeth Tavares em 17-03-2008
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vinícius garcez couto disse:
Adoro esse poema, pensei em compor uma música que tentasse exprimir o verso de bandeira. Pensei em uma ilustração musical desse verso, fazendo das notas as gotas. Uma melodia rouca mas que escorra,isto é, perpasse livrimente em graves e agoudo, uma melodia que ande do grave ao agudo por muitas notas mas de forma sensível. Bons menores para expressar o dói-me nas veias, a sensibilidade verdadeira, quero minha vida na música, minha morena pequena
Kirinha disse:
A sutileza com que fala de dor,
é a ausencia de sinfonia de sapos,
não esconde ardido da mágoa,
não deixa de se mostrar, é fato,
e não fala de amor bandido,
deixa a poesia como aparato,
de vida, e não de malbarato!
Jonatas de Oliveira disse:
Creio que a sabedoria de Bandeira esta em saber falar da dor sem ser melodramático.