Coitado! que em um tempo choro e rio
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
Du’a cousa confio e desconfio.
Voo sem asas; estou cego e guio;
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.
Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo;
Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!
postado por Ederson Peka em 14-03-2010
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Ninah Maria disse:
PERFEITO !
Lia disse:
palavras da alma. belíssimo!
liamanfredinni.blogspot.com
Felipa disse:
Camões, o Grande…
Neste soneto ele mostra-se contraditório consigo mesmo, sendo as duas faces de uma mesma moeda (metafóricamente, claro).
EDILOY A C FERRARO disse:
…talvez o que anime o Ser seja suas dubiedades, seus questionamentos eternos, a busca incansável por respostas existenciais, um certo inconformismo…devaneios que o torna produtivo, intenso, eterno…Camões nestes versos é tão atual em seus questionamentos como qualquer autor contemporâneo…
fabio disse:
não me irrito com a curva
que sempre muda a minha vida
me espelho na beleza turva
de um poeta em partida.
Simone Dall' Agnol disse:
Camões Camões….suas lindas palavras, trazendo a nós suas memórias suas histórias!!
Lindo modo sencível,
Lindas palavras que são como pérolas,
Que são preciosas!!!