Blog dos Poetas

Cleópatra

de

Não! que importava a queda, e o epílogo do drama:
O trono, o cetro, o povo, o exército, o tesouro,
As províncias, a glória, e as naus, no sorvedouro
De Actium, e Alexandria entregue ao saque e à chama?

Não! que importava o horror da entrada em Roma: a fama
De Otávio, e o seu triunfo, entre a púrpura e o louro,
E a plebe em grita, e o céu cheio de águias de ouro,
E o Egito, e o seu império, e os seus troféus, na lama?

Não! Que importava o amor perdido? Que importava
O naufrágio do orgulho, a vergonha, a tortura
Do ódio do vencedor ou da piedade alheia?

Mas entrar desgrenhada, envelhecida, escrava,
Rota, sem o raiar da sua formosura,
Sol sem fulgor… Matou-a o medo de ser feia.

postado por em 24-04-2015
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  • Mariane Almeida

    Amo tudo que se refere à Cleópatra, a despeito de sua fama mesquinhamente difundida ser de uma “puta”, amo seu talento de estrategista, amo sua força e entrega quando amava, amo sua determinação. Cleópatra era uma mulher de muita fibra, não uma marionetezinha chorona. Devia sim ter medo de ser feia, não no contexto de beleza atual, mas no contexto de seu imperialismo, onde beleza era simbólico, descrevia poderio. Não gosto de vê-la feia, uma mulher com os atributos dela deve ser altiva sim, guardar a generosidade, a simplicidade para sua intimidade, com os seus.