Desenrola-se a sombra no regaço
Da morna tarde, no esmaiado anil;
Dorme, no ofego do calor febril,
A natureza, mole de cansaço.
Vagarosas estrelas! passo a passo,
O aprisco desertando, às mil e às mil,
Vindes do ignoto seio do redil
Num compacto rebanho, e encheis o espaço…
E, enquanto, lentas, sobre a paz terrena,
Vos tresmalhais tremulamente a flux,
- Uma divina música serena
Desce rolando pela vossa luz:
Cuida-se ouvir, ovelhas de ouro! a avena
Do invisível pastor que vos conduz…
postado por Célia de Lima em 24-12-2009
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EDILOY AC FERRARO disse:
…codificar no vernáculo hodierno as descrições da alma do poeta em instantes mágicos, com sensibilidade apurada tece seus versos, perfeitos, edulcorados em imagens encantadas, trazendo-nos seus momentos de lirismo e belezas refletindo o fim da tarde e o aparecimento das estrelas…ETERNO !
IALMAR PIO SCHNEIDER disse:
SONETO BILAQUIANO
Ialmar Pio Schneider
Contemplo a noite… brilham as estrelas
e cada vez mais triste e sem carinho,
procuro amar alguém para entendê-las,
mas não encontro e fico então sozinho.
À distância parecem tagarelas
e quase suas falas adivinho,
quando peço que afastem as procelas,
iluminando sempre o meu caminho…
E permaneço assim horas sem conta
a percorrer a via-láctea amada
com meus olhares súplices, sedentos…
Pouco mais minha vida desaponta,
porque mesmo que não alcance nada,
eu me deixo levar aos quatro ventos…
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