Suspensos nos salões dos tetos decorados,
Que de arabescos orna o gesso alvinitente,
Ó lustres de cristal, enganadoramente
Ao mesmo tempo sois sonoros e calados.
Pesados, emprestais, no entanto, à pompa ambiente,
Onde há ricos painéis entre florões doirados,
A mais aérea graça, e os olhos deslumbrados
Sentem que os cega o vosso encanto reluzente.
Que o silêncio em redor guarde a fragilidade
Translúcida que sois, e ouçam-se quase a medo
Os rumores quaisquer que em torno a vós se formem!
Toquem-vos docemente a sombra e a claridade…
Nem se turbe, jamais, ó lustres, o segredo
Das vibrações que em vós, musicalmente dormem!
postado por Ederson Peka em 28-11-2010
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EDILOY A C FERRARO disse:
O que busca o poeta, fazer de olhos seus, sensíveis, ao aparente adereço que ostenta os salões ? E no esmiuçar de versos neste soneto capta-se uma certa ironia à pompa que se desenrola em tais ambientes…A perspicácia de emotivos olhos que a tudo vê, analisa e poetisa….