Trago os olhos naufragados
em poentes cor de sangue…
Trago os braços embrulhados
numa palma bela e dura
e nos lábios a secura
dos anseios retalhados…
Enrolada nos quadris
cobras mansas que não mordem
tecem serenos abraços…
E nas mãos, presas com fitas
azagaias de brinquedo
vão-se fazendo em pedaços…
Só nos olhos naufragados
estes poentes de sangue…
Só na carne rija e quente,
este desejo de vida!…
Donde venho, ninguém sabe
e nem eu sei…
Para onde vou
diz a lei
tatuada no meu corpo…
E quando os pés abram sendas
e os braços se risquem cruzes,
quando nos olhos parados
que trazem naufragados
se entornarem novas luzes…
Ah! Quem souber,
há-de ver
que eu trago a lei
no meu corpo…
postado por Célia de Lima em 20-01-2010
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EDILOY AC FERRARO disse:
…linda escolha, poema emblemático, reflexivo, existencialista, recheado de metáforas que o embelezam em seu cantar triste…parabéns por nos trazer esses devaneios tão formosos.
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