Pássaro
de Cecília MeirelesNão foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
postado por Ederson Peka em 26-06-2006
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Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
Não me culpeis a mim de amar-vos tanto,
mas a vós mesma e à vossa formosura
Seja meu livro então minha eloqüência,
Arauto mudo do que diz meu peito
Se meu crime provém da natureza,
quem de ser deixará réu, criminoso?
Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…
Pede ao Deus que, apesar das tuas dores,
ainda persiste a castigar teu filho,
que eu não morra a sofrer, como hoje vivo…